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Sobreiro: a mãe da cortiça

O sobreiro pode viver até aos 250 – 300 anos. Durante todo esse tempo, produz cortiça. No entanto, a sua extração, que é feita em ciclos de nove anos, só começa a partir do momento em que a árvore atinge um perímetro de 70 cm, medido a 1,30 m do solo (de acordo com a legislação em vigor) – o que corresponde aos cerca de 20 a 25 anos da árvore. A extração termina aos 150-200 anos da árvore, depois de 12 a 14 extrações.

A cortiça é produzida por um tecido chamado felogénio, que mantém atividade durante toda a vida da árvore, formando camadas sucessivas. Após cada operação de extração (descortiçamento), o felogénio morre, mas a sua capacidade de regeneração assegura a sustentabilidade da produção e da extração de cortiça.

De modo a não danificar a árvore, o descortiçamento é realizado por pessoal especializado, apenas quando as células do felogénio estão em divisão ativa (nessa altura a cortiça destaca-se facilmente), normalmente entre o fim da primavera e o início do verão (maio a agosto). Em casos de seca severa, o descortiçamento pode e deve ser adiado para o ano seguinte, para evitar danos à árvore.

No primeiro descortiçamento (chamado desbóia) obtém-se a “cortiça virgem” de estrutura muito irregular, dura e difícil de trabalhar. No segundo obtém-se a “cortiça secundeira” de estrutura mais regular e menos densa, que tem aproveitamento para discos de cortiça quando a espessura e a qualidade assim o permitem.

Só a partir do terceiro descortiçamento, quando o sobreiro tem mais de 40 anos, se obtém a cortiça “amadia” ou “de reprodução”, já de estrutura regular e com qualidade exigida para a produção de rolhas. O ditado “Quem se preocupa com os seus netos, planta um sobreiro” traduz o longo período que o sobreiro leva a produzir cortiça para utilização industrial.

Além da cortiça, também o fruto do sobreiro – a bolota – é valorizado, sobretudo para alimentação do gado (em particular do porco de montanheira) e a sua madeira é aproveitada para lenha.